Em artigo veiculado no seu blog, Marina Silva anotou: “Não é por mera coincidência que, um ano antes da eleição, a mesma Dilma que promulgou as mudanças no Código Florestal que favorecem o desmatamento tenha incorporado o desenvolvimento sustentável ao seu discurso.”
Marina comentou no texto o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, anunciado por Dilma Rousseff na semana passada. Ela reproduziu uma frase do discurso da presidente: “Nosso país tem dado passos significativos na construção de um padrão de desenvolvimento sustentável. É possível que este país que cresce distribua renda e inclua, e seja um país que conserve e proteja o meio ambiente.”
A líder da Rede Sustentabilidade insinuou que não é sincera a preocupação ambiental de Dilma. Para Marina, o que levou a presidente a anunciar o plano que destina R$ 8,8 bilhões em três anos à produção de alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, foi “a forte incidência da agenda da sustentabilidade no cenário político.”
O que Marina escreveu, com outras palavras, foi que Dilma faz por pressão da conjuntura eleitoral o que deixou de fazer por convicção. Enrola-se na bandeira da sustentabilidade para tentar reagir à Rede que, em parceria com o PSB do presidenciável Eduardo Campos, prepara um programa em que o crescimento sustentável será parte do modelo, não um detalhe.
Em reforço à sua tese, Marina lembrou que o plano agroecológico apresentado por Dilma como novidade “foi criado em 2012, quando a própria presidente assinou decreto para que fosse executado.” A despeito disso, o projeto “estava engavetado”. Marina lembrou ainda que desde 2003, primeiro ano do mandato inaugural de Lula, “o país conta com lei sobre a produção orgânica.”
Segundo Marina, o plano finalmente anunciado por Dilma “merece todo apoio dada a relevância para a agricultura familiar.” Pelas suas contas “75 mil famílias deverão ser favorecidas”. A iniciativa é criticável, porém, pela demora e pela timidez. “Uma década após a promulgação da lei, o plano surge com metas tímidas, como a de 5% de compras obrigatórias para o Programa da Aquisição de Alimentos, o equivalente a R$ 138 milhões, e para o Programa Nacional Alimentação Escolar, R$ 150 milhões.”
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Fonte: Josias de Souza

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